Nuri Bilge Ceylan

‘Winter Sleep’, de Nuri Bilge Ceylan

Por Fernando Oriente

Winter SleepTrabalhar de forma eficaz, no sentido de aliar os elementos estéticos, formais, narrativos e dramáticos a um discurso e às propostas de discussão que os enunciados desse discurso apontam, é um feito para um cineasta. O turco Nuri Bilge Ceylan consegue em seu novo filme, ‘Winter Sleep’, chegar muito próximo da realização completa desse feito. Com poucos momentos de fraqueza e irregularidade, o filme faz um belo trabalho ao aliar a força visual da construção estética por meio do uso preciso da relação do tempo (tanto o tempo presente das ações, quanto aquele tempo passado que os personagens carregam) com os espaços onde os dramas se desenvolvem; espaços esses bem explorados, seja na amplidão das paisagens externas ou nos ambientes fechados. A opção pela janela em scope é trabalhada com competência dentro de uma sólida composição de quadro que marca todo o desenvolvimento do longa e que potencializa as tensões, as ações e os conflitos emocionais, tanto os que vemos na tela, quanto os que são mantidos no extra-campo e contaminam tudo o que acontece dentro dos planos.

‘Winter Sleep’ se passa em um hotel isolado na região de Anatólia, interior da Turquia, onde vivem o proprietário (Aydin), sua mulher (bem mais jovem que ele – vivida pela linda atriz Melisa Sozen) e sua irmã recém divorciada. Aydin é um homem rico que possui diversos imóveis herdados do pai que aluga na região, nas pequenas vilas que cercam seu hotel. Essas propriedades são, na sua maioria, lojas e casas em estado de deterioração cujos locatários são pobres demais para manterem o aluguel em dia. Além disso, o protagonista escreve artigos semanais para um pequeno jornal da região e tem uma carreira já encerrada de ator, em que atuou durante mais de 20 anos em pequenas peças teatrais. Para completar, Aydin ainda trabalha em um livro sobre a história do teatro turco. Essa descrição detalhada do personagem serve por si só para termos uma noção das possibilidades dramáticas e dos conflitos em que um tipo como esse pode se envolver, quando bem construído e desenvolvido com solidez. Ceylan o usa tanto para criar um arquétipo do homem capitalista culto e poderoso como para, a partir de suas características constitutivas, discutir relações familiares e ainda compor um retrato do choque de classes entre o rico ex-ator e seus inquilinos pobres.

‘Winter Sleep’ é um filme sobre o ressentimento e as frustrações que dilaceram lentamente os personagens, que se manifestam aos pouco por meio de cinismos, acusações, humilhações dissimuladas e, num crescente, provocam cada vez mais reações de agressividade e crueldade, tudo isso em meio ao apego inútil com que eles se agarram aos seus próprios orgulhos. Pessoas que convivem (marido e mulher, irmão e irmã, cunhadas), mas que não se entendem, que não se respeitam, não se comunicam. Que subjugam o outro e se escondem dentro de certezas, ações e ideologias ocas. Lentamente todas as relações viram jogos de poder, em que as vitórias (mesmo falaciosas) dos conflitos são sempre dos mais fortes, dos que detém o poder econômico, dos que têm posições sociais destacadas, ou simplesmente do macho, dentro da intransponível misoginia que submete a mulher ao segundo plano e dá sempre o poder real ao homem.

Mas o grande mérito de Ceylan é fazer dessas vitórias, desse poder, apenas conquistas vazias, que em momento algum trazem qualquer forma real de triunfo ou realização, além de não aliviar em nada a opressão existencial dos personagens e ampliar ainda mais as sensações de culpa e impotência. Todos são incapazes de evitar o isolamento em que vivem; isolados um do outro, isolados do mundo e isolados de si mesmos.

Os personagens são mantidos longe de construções estereotipadas (os bons atores ajudam muito nesse aspecto) e as situações evitam ao máximo cair em maniqueísmos, embora algumas conjunturas dramáticas (como na cena em que Nihal, a mulher de Aydin, procura ajudar a família pobre de um dos locatários de seu marido) flertem perigosamente com clichês de fundo moral e com uma construção artificial dentro da dramaturgia. O problema de ‘Winter Sleep’ é exatamente a diferença de intensidade que Ceylan extrai de diferentes situações dramáticas. O filme oscila entre momentos realmente poderosos e sequências mais frouxas, em que a potência dramática não atinge o grau de densidade que Ceylan parece ter pretendido. Mas isso não impede que o filme tenha muito mais qualidades do que defeitos.

'Winter Sleep'‘Winter Sleep’ chega a ter momentos fortíssimos, em que uma encenação sólida, uma decupagem rigorosa e uma evolução narrativa densa criam cenas marcantes, como as longas discussões cheias de crueldade, cinismo, ressentimento e violência reprimida entre o protagonista e sua irmã e depois com sua mulher, bem como na tensão sufocante dos momentos de silêncio em que os personagens são incapazes de exteriorizar suas instabilidades existenciais. Outro acerto do filme é elaborar uma discussão sobre a hipocrisia impregnada na rigidez dos conceitos morais, na falsa nobreza de espírito contida em ideais de virtudes e princípios e na falácia do assistencialismo praticado pelos mais ricos como maneira de expurgar suas misérias interiores, mas que é incapaz de fazê-los ajudar, de fato, as pessoas carentes ou mesmo fazê-los perceber e compreender a pobreza e as dificuldades em que vivem a maioria dos habitantes da região.

As tensões familiares, a força dos conflitos entre os irmãos, a família afastada em um lugar atemporal no interior de um país dialogam diretamente com o universo do escritor e dramaturgo Anton Tchekhov (principalmente se pensarmos nas peças ‘Tio Vânia’ e ‘Três Irmãs’, escritas pelo russo no final do século 19 e início do 20), com quem o filme faz referências explícitas que merecem destaque até nos créditos finais.

Em seu novo trabalho, Ceylan volta ambientar todo o longa na região da Anatólia na Turquia. Seus dois últimos filmes mantêm um forte diálogo entre si. Se em ‘Era Uma Vez em Anatólia’ (2011) tínhamos elementos do cinema policial, em ‘Winter Sleep’ Ceylan dirige seu discurso para o terreno do drama existencial e para os conflitos familiares e sociais. Mas a relação entre as ações de tipos carregados pelo peso do passado, os conflitos reprimidos no interior dos personagens que rompem em tensões dramáticas carregadas de amargura e uma situação de confronto insolúvel entre classes sociais estão presentes de maneira marcante nos dois filmes. É notável como em fazer filmes com duração maior (2 horas e 37 minutos em ‘Era Uma Vez em Anatólia’ e 3 horas e 20 minutos em ‘Winter Sleep’) Ceylan encontrou a maneira certa para desenvolver com firmeza suas narrativas e trabalhar bem as questões dramáticas dentro de uma relação mais bem construída com o tempo e os espaços dos planos e das sequências, além de criar e desenvolver personagens mais densos e com texturas complexas.

Ceylan é um caso raro no cinema. Após três filmes muito ruins – ‘Distante’ (2002) ‘Climas’(2006) e ‘3 Macacos’ (2008) – em que fazia emulações embusteiras do cinema moderno europeu, principalmente Antonioni, o diretor turco fez o bom ‘Era Uma Vez em Anatólia’. ‘Winter Sleep’ é mais um bom filme (embora inferior ao anterior), o que mostra que o diretor encontrou uma maneira e um estilo de fazer um cinema sólido e autêntico em que faz fluir seus discursos e idéias. ‘Winter Sleep’ é a prova que ‘Era Uma Vez em Anatólia’ não foi um acaso, e sim o momento em que Ceylan encontrou a força de seu cinema, que está longe de ser recheado de obras-primas como alguns críticos enxergam, mas que se faz interessante e com potência.

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Pequenas críticas de filmes da 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (1)

Por Fernando Oriente

‘A Vida Invisível’, de Vítor Gonçalves (Portugal, 2013)

A Vida InvisívelSem dúvida, um dos melhores filmes dentro da Mostra desse ano. O longa de Gonçalves é um primoroso tratado sobre o tempo suspenso, a solidão e a incapacidade de agir. O protagonista Hugo vive imerso nesse tempo suspenso. Na inação e na solidão em que passas seus dias ele carrega o peso de um passado de memórias mal resolvidas, desencantos, rupturas e experiências deixadas por viver. Em meio a isso, ele enfrenta questionamentos existências sobre sua vida incerta como um foragido do mundo e receios em relação ao seu próprio futuro, que se refletem na morte iminente de um amigo de trabalho e nas impossibilidades de se relacionar com a mulher que ama.

Esse complexo tecido dramático é construído por Gonçalves por meio da força dos planos, em que a composição radical do quadro, a autonomia das sequências e as elipses narrativas gradualmente tecem uma carga dramática sensorial que se infiltra por toda a matéria do filme. Filme de sensações, em que tudo é sugerido pelo poder do discurso das imagens, pelo rigor como o quadro é geometricamente composto e na maneira como os planos são compostos como representações dos tumultos existenciais de Hugo.

‘A Vida Invisível’ traz um dos mais sofisticados tratamentos de luz vistos no cinema recente (comparável a ‘Cavalo Dinheiro’, de Pedro Costa – não acaso, os dois filmes são fotografados por Leonardo Simões). As sequências com luminosidade subexposta, a relação entre os focos de luz em meio a penumbras e sombras, o uso dramático dos ambientes escuros como reflexos da alma do protagonista, as diferentes texturas de luminosidade do quadro e as sequências em que a luz é abundante (seja no fundo do plano através de janelas ou em sequências a beira mar) são um dos pilares fundamentais da grandeza estética do filme.

Muitas das questões existenciais e dos elementos dramáticos (tratados com alto teor de sofisticação) e as opções estéticas de ‘A Vida Invisível’ remetem a temas caros para o cinema e a arte portuguesa, bem como lembram o rigor do quadro e o uso dos planos como agentes significantes presentes no cinema de Michelangelo Antonioni.

‘Noites Brancas no Pier’, de Paul Vecchiali (França, 2014)

Noites Brancas no PierComo era de se esperar, conhecendo o cinema de Paul Vecchiali, seu novo filme ‘Noites Brancas no Pier’ se confirma como mais um ótimo trabalho na carreira do diretor. Feito com orçamento baixíssimo, essa adaptação da novela curta de Dostoievski usa estruturas básicas de mise-en-scène, uma montagem enxuta feita a partir de elipses curtas e se apóia na força e nos sentidos paradoxais da palavra.

São várias cenas noturnas, em que um casal se conhece, tornam-se amigos e contam suas vidas um para o outro, noite após noite. Ele é um solitário que se encontra em fase de recolhimento, ela é uma jovem que aguarda o retorno do grande amor de sua vida. Na evolução do relacionamento entre os dois, em meio às vivências compartilhadas, ele se apaixona por ela e ela passa ver nele uma salvação para caso seu amado não regresse.

Tudo isso é encenado de maneira frontal e epidérmica por Vecchiali, com os personagens sempre em primeiro plano, dividindo a tela, ou com apenas um dos dois no quadro, enquanto o outro escuta próximo, mas fora de campo. O diretor trabalha esses primeiros planos pra dar ênfase ao texto falado, por vezes desfoca o ouvinte para deixar a nitidez naquele que fala e em outros momentos deixa quem está proferindo o discurso sob a luz enquanto aquele que ouve fica um passo a trás, na penumbra. Os diálogos são ditos em ritmo lento, ressaltando a sonoridade e as significações das palavras. Principalmente o personagem masculino diz seus textos de uma maneira antinaturalista (muito próxima ao estilo de Straub e Huillet) ao mesmo tempo em que ele evita demonstrar seus sentimentos por meio de gestos, expressões ou olhares. Os planos de fundo estão sempre fora de foco, aparecem como blocos de escuridão, luzes em flou, ou meras massas de cores opacas em meio à escuridão.

Trata-se de uma história de encontros e desencontros, recheada por vivências e experiências que os personagens carregam. São tipos frágeis, que vivem na incerteza do presente e nas dúvidas do que está por vir. Pessoas solitárias que projetam em seus sonhos uma variedade de esperanças tímidas, de possibilidades precárias. O que Vecchiali faz, com sua encenação direta e a força que coloca na palavra é oferecer dois seres humanos que representam toda uma humanidade que sonha, sofre, teme, mas sempre espera por algo que os tire da banalidade. Um verdadeiro banho de humanidade.

‘Salto no Vazio’, de Marco Bellocchio (Itália, 1980)

Salto no VazioUm dos melhores filmes da carreira de Bellocchio, o que já faz dele um dos imperdíveis da 38ª Mostra. Em ‘Salto no Vazio’, o cineasta italiano aborda um tema caro em sua obra: as relações tensas dentro do seio da instituição familiar e o caráter político que elas assumem. Temos no longa uma das mais radicais incursões de Bellocchio nesse terreno, um filme que trata a família burguesa como patologia e suas estruturas de dominação como expressão primal dos impulsos reacionários que comandam a sociedade. Além disso, ‘Salto no Vazio’ é um cruel retrato dos efeitos abjetos do machismo e do massacre psicológico e castrador sofrido desde sempre pela mulher.

Com uma encenação fortíssima, que carrega na complexidade das camadas narrativas para elevar as texturas dramáticas a extremos de tensão, Bellocchio usa estruturas alegóricas de sobreposição de tempos, referências à tragédia grega e ainda compõe um painel sobre os papéis políticos das classes sociais na Itália do final dos anos 70 e início dos 80, com o pano de fundo do choque (sempre fora de quadro e pouco mencionado na diegese) entre o conservadorismo democrata cristão, a presença de valores de anarquismo libertário e os ecos das ações das Brigadas Vermelhas e demais grupos de extrema esquerda, além da derrocada da representatividade dos partidos comunistas e socialistas tradicionais. Ao situar um drama íntimo em meio a uma instabilidade político-social de alta magnitude, Bellocchio faz de seu microcosmo dramático um fragmento que representa e amplia os valores e a significação da situação nacional italiana da época.

‘Winter Sleeps’, de Nuri Bilge Ceylan. (Turquia, 2014)

Winter SleepsCeylan é um caso raro no cinema. Após três filmes muito ruins – ‘Distante’ (2002) ‘Climas’(2006) e ‘3 Macacos’ (2008) – em que fazia emulações embusteiras do cinema moderno europeu, principalmente Antonioni, o diretor turco fez o bom ‘Era Uma Vez em Anatólia’ (2011). ‘Winter Sleep’, seu último longa em cartaz na Mostra desse ano, é mais um bom filme (embora inferior ao anterior), o que mostra que o cineasta encontrou uma maneira e um estilo de fazer um cinema sólido e autêntico em que faz fluir seus discursos e idéias.

Em seu novo trabalho, Ceylan volta ambientar todo o longa na região da Anatólia na Turquia. Seus dois últimos filmes mantêm um forte diálogo entre si. Se em ‘Era Uma Vez em Anatólia’ tínhamos elementos do cinema policial, em ‘Winter Sleeps’ Ceylan já dirige seu discurso para o terreno do drama familiar e social. Mas a relação entre as ações de tipos carregados pelo peso do passado, os conflitos reprimidos no interior dos personagens que rompem em tensões dramáticas cheias de ressentimentos e uma situação de confronto insolúvel entre classes sociais estão presentes de maneira epidérmica nos dois filmes. É notável como em fazer filme com duração maior (2hora e 37 minutos em ‘Era Uma Vez em Anatólia’ e 3 horas de 20 minutos em ‘Winter Sleeps’) Ceylan encontrou a maneira certa para desenvolver com firmeza suas narrativas e trabalhar bem as questões dramáticas dentro de uma relação mais bem construída com o tempo e os espaços dos planos e sequências.

‘Winter Sleeps’ chega a ter momentos fortíssimos, em que uma encenação sólida e uma decupagem funcional criam cenas marcantes, como as discussões cheias de crueldade e violência reprimida entre o protagonista e sua irmã e depois com sua mulher. As tensões familiares, a força dos conflitos entre os irmãos, a família afastada em um lugar atemporal no interior de um país dialogam diretamente com o universo de Anton Tchekhov, com quem o filme faz referências explícitas que merecem destaque até nos créditos finais. Nuri Bilge Ceylan virou um bom diretor, ‘Winter Sleeps’ é a prova que ‘Era Uma Vez em Anatólia’ não foi um acaso, e sim o momento em que Ceylan encontrou a força de seu cinema.

‘Non-Fiction Diary’, de Jung Yoon-Suk. (Coréia do Sul, 2013)

±¤ÁÖ ÁöÁ¸ÆÄÀÇ ÇöÀå°ËÁõEsse documentário sul-coreano faz um belo painel da história político-econômica e social recente da Coréia do Sul (sem deixar de contextualizar com épocas mais antigas na história do país) por meio de um fato principal (os assassinatos em série cometidos por um grupo de fanáticos) e dois paralelos (os desabamentos de loja de departamentos e de uma ponte). As três tragédias ocorreram entre 1993 e 1995, período em que a Coréia saia de um regime militar e entrava em uma democracia de orientação neoliberal. Outros assuntos são levantados durante o longa, como o perdão aos ditadores e seus crimes cometidos, questões envolvendo a exploração religiosa dos acontecimentos, a pena de morte na Coréia bem como os caminhos que o desenvolvimento acelerado trouxe para o país. É impossível ver o filme e não pensar no atual momento coreano, com sua economia inchada em meio à mega-corporações como Samsung e Hyundai, entre outras

O tema central no discurso do diretor Jung Yoon-Suk são os efeitos contraditórios e muitas vezes nocivos que o desenvolvimento capitalista traz para um país de terceiro mundo que se encontra em fase de crescimento econômico. Esses efeitos são sentidos por todos os lados e parecem ser inevitáveis consequências de imposições inerentes ao capitalismo, como as desigualdades sociais, a obsessão pelo lucro o descaso com a população em geral e a ausência de uma presença regulatória e protetora do Estado.

O filme é construído por meio de muitos depoimentos, mas ao contrário de inúmeros documentários que apenas acumulam testemunhos de forma rápida demais, esses depoimentos de ‘Non-Fiction Diary’ se relacionam entre si, ampliam as questões e os questionamentos levantados bem como sempre retomam temas e os aprofundam ainda mais. Imagens de arquivos bem editadas, textos impressos e imagens feitas nos dias atuais potencializam o caráter dialético do filme. ‘Non-Fiction Diary’ serve muito bem a nós brasileiros, principalmente se lembramos das políticas neoliberais insanas aplicadas por FHC no Brasil nos anos 90, na relação conivente que a Justiça brasileira tem com os criminosos da nossa ditadura que continuam impunes e nos conflitos que surgem decorrentes de desigualdades sociais aberrantes.