A Copa e suas possibilidades

mtstPor Fernando Oriente

Nessa quinta-feira começa a Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Sim, ela irá acontecer. Como? Não sabemos. Deve haver Copa, mas, simbolicamente o ‘Não Vai Ter Copa’ se concretizou em muitos aspectos. A imagem de um país festeiro, onde predomina a igualdade social, racial e de gêneros, bem como a tolerância e a alegria, não foi comprada pela grande maioria dos brasileiros, ao mesmo tempo em que também não foi vendida com êxito aos estrangeiros.

O momento propício para protestar e, principalmente, para lutar por conquistas de benefícios sociais foi muito bem utilizado por diversos movimentos de massa autênticos. O melhor exemplo disso é o sucesso e os resultados que o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) conquistou em meio ao cenário de Copa do Mundo. Professores, garis, metroviários e outros grupos também alcançaram, ou alcançarão em breve, resultados positivos em suas reivindicações.

Mas algo muito grave acontece nesse ambiente de lutas autênticas: uma pressão vinda de movimentos reacionários, forças conservadoras e seus preconceitos, elitismos e pulsões naturais para manter a desigualdade social, bem como oprimir todos que não sejam homens, brancos, heterossexuais, financeiramente estáveis e pertencentes a grupos religiosos legitimados pelas altas casta do poder (basicamente cristãos e judeus). Ou seja, os detentores do poder real na sociedade não querem perder espaço.

Impossível prever quais os rumos que o país irá seguir, mas o sucesso das causas sociais legítimas e humanitárias de grupos como o MTST tem que prevalecer contra a defesa que o poder constituído faz de seus domínios materiais e simbólicos.

Como dizem muitos pensadores da esquerda atual, uma das principais lutas políticas de nossos dias é disputada no campo da cultura, dos costumes. Por isso, cada manifestação a favor da diversidade, da igualdade e da quebra de privilégios é sempre bem vinda. Seja na rua, na Internet ou dentro da casa e da comunidade de cada um. Um ambiente de Copa no nosso próprio solo é motivo para que essas manifestações sejam cada vez mais barulhentas.

É hora de apoiar, da maneira que seja, o movimento LGBT, as lutas femininas contra o machismo e a discriminação por gênero, a batalha pela liberdade de todas as práticas religiosas, a regulamentação das drogas, a regulação da mídia, a defesa do aborto, a Internet livre, o direito de manifestação e por aí vai.

Um cenário de Copa, por mais equivocada que seja, é ambiente para que lutas que devem ser travadas sempre ganhem mais força. E ao mesmo tempo, momento fundamental para que se combata e evite a reação de forças abjetas.

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